terça-feira, 8 de novembro de 2016

CORTES NOS ENSAIOS CLÍNICOS EM PORTUGAL


Aranda da Silva, antigo diretor do INFARMED
Um conjunto importante de «dealers» da saúde aguarda há muito tempo a sua legalização em Portugal, apesar de já existirem algumas escolas reconhecidas. Alguns ficam agora isentos de IVA. Porém, isto não tem um peso assim tão deletério quanto lhe é atribuído no momento.
Como diriam alguns políticos «não se pode meter tudo no mesmo saco», no caso presente, o dos «patas». Há praticantes muito bons em vários destes domínios, e de efeito terapêutico reconhecido. A plêiade honorável de colegas meus poderia conhecê-los melhor. Podem complementar a nossa prática e prédica.
Adalberto Campos Fernandes, ministro da saúde
Assaz diferente é permitir-se o exercício quase clandestino e sem exigências científicas e de qualidade, da parte invisível da ação deste «tumor» curandeiro.
Veja-se a sina da Nutrição em Portugal, a doença «mortífera» na alimentação de qualidade veiculada por um enxame de mentiras das multinacionais farmacêuticas que tomaram conta das farmácias portuguesas falidas, ou de empresas da mesma matriz anunciadas diariamente na rádio com publicidade enganosa. Já para não falarmos do execrável Herbalife. Há quem diga que enriqueceu por o vender.
Hospital Dr. José de Almeida, Cascais
Nem os produtos comercializados ou por recomenda destas empresas (pílulas, comida pré elaborada) ou pelas multinacionais das sementes, tipo «Celeiro», têm qualquer intervenção do governo enquanto saúde. Limitam-se a um carimbo do ministério da agricultura!
No pressuposto erróneo de «natural é bom» nada é estudado. Terão alguns produtos recomendáveis e bons, como as ervanárias também os têm, mas só isso.
Surpreendeu-me um tanto o anúncio da Direção Geral de Saúde quanto à oficialização da medicina tradicional chinesa em Portugal. Também aqui existe um universo de opções que não pode ser metido todo no mesmo saco. Alguns caminhos são de há muito estudados nas melhores universidades do primeiro mundo. Mas é o próprio governo da China a denunciar o caráter inócuo ou nocivo da maioria da sua medicina tradicional. Pelo alheamento oficial deste vastíssimo especto interventor na saúde, desconfia-se da inocência de tamanha liberalização.
Marmitas saudáveis para o emprego, de Andreia Pinto
O governo anterior chegou a ter várias centenas de doentes cancerosos a ultrapassarem o limiar de tempo admissível para intervenção cirúrgica, coisa inimaginável. E neste momento surge este artigo dum ilustre antigo diretor do Infarmed, o Dr. Aranda da Silva, a referir-se ao previsível corte financeiro aos Ensaios Clínicos. E fico aturdido. Conhecendo os atuais responsáveis dentro da estrutura do ministério da saúde, e fruindo aí belas amizades, espanta-me esta miscelânea de políticas avulsas duvidosas, que mais parecem um favor conjuntural a alguém, e não me parecem minimamente coerentes com a formação desses líderes da saúde.
Hpinto

8 de Novembro 2016 
 O autor do texto Henrique Pinto, médico

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