Aranda da Silva, antigo diretor do INFARMED
Um conjunto importante de
«dealers» da saúde aguarda há muito tempo a sua legalização em Portugal, apesar
de já existirem algumas escolas reconhecidas. Alguns ficam agora isentos de
IVA. Porém, isto não tem um peso assim tão deletério quanto lhe é atribuído no
momento.
Como diriam alguns
políticos «não se pode meter tudo no mesmo saco», no caso presente, o dos
«patas». Há praticantes muito bons em vários destes domínios, e de efeito
terapêutico reconhecido. A plêiade honorável de colegas meus poderia conhecê-los
melhor. Podem complementar a nossa prática e prédica.
Adalberto Campos Fernandes, ministro da saúde
Assaz diferente é
permitir-se o exercício quase clandestino e sem exigências científicas e de
qualidade, da parte invisível da ação deste «tumor» curandeiro.
Veja-se a sina da Nutrição
em Portugal, a doença «mortífera» na alimentação de qualidade veiculada por um
enxame de mentiras das multinacionais farmacêuticas que tomaram conta das
farmácias portuguesas falidas, ou de empresas da mesma matriz anunciadas
diariamente na rádio com publicidade enganosa. Já para não falarmos do
execrável Herbalife. Há quem diga que enriqueceu por o vender.
Hospital Dr. José de Almeida, Cascais
Nem os produtos comercializados
ou por recomenda destas empresas (pílulas, comida pré elaborada) ou pelas
multinacionais das sementes, tipo «Celeiro», têm qualquer intervenção do
governo enquanto saúde. Limitam-se a um carimbo do ministério da agricultura!
No pressuposto erróneo de
«natural é bom» nada é estudado. Terão alguns produtos recomendáveis e bons,
como as ervanárias também os têm, mas só isso.
Surpreendeu-me um tanto o
anúncio da Direção Geral de Saúde quanto à oficialização da medicina
tradicional chinesa em Portugal. Também aqui existe um universo de opções que
não pode ser metido todo no mesmo saco. Alguns caminhos são de há muito
estudados nas melhores universidades do primeiro mundo. Mas é o próprio governo
da China a denunciar o caráter inócuo ou nocivo da maioria da sua medicina tradicional.
Pelo alheamento oficial deste vastíssimo especto interventor na saúde,
desconfia-se da inocência de tamanha liberalização.
Marmitas saudáveis para o emprego, de Andreia Pinto
O governo anterior chegou
a ter várias centenas de doentes cancerosos a ultrapassarem o limiar de tempo admissível
para intervenção cirúrgica, coisa inimaginável. E neste momento surge este
artigo dum ilustre antigo diretor do Infarmed, o Dr. Aranda da Silva, a referir-se
ao previsível corte financeiro aos Ensaios Clínicos. E fico aturdido. Conhecendo
os atuais responsáveis dentro da estrutura do ministério da saúde, e fruindo aí
belas amizades, espanta-me esta miscelânea de políticas avulsas duvidosas, que
mais parecem um favor conjuntural a alguém, e não me parecem minimamente
coerentes com a formação desses líderes da saúde.
Hpinto
8 de Novembro 2016
O autor do texto Henrique Pinto, médico





Sem comentários:
Enviar um comentário